O que é bebê chiador?

O que é bebê chiador ou lactente sibilante? O que pode influenciar as crises? Qual é a diferença para a asma? Qual é o tratamento para o bebê chiador? 

Fonte: Getty Images
Fonte: Getty Images

Seu filho teve bronquiolite, mas o chiado no peito continua? Ou ele começou a ter várias crises de chiado depois da bronquiolite?

Alguns bebês que tiveram bronquiolite podem voltar a ter crises de chiado do peito e ser considerados um “bebê chiador” ou lactente sibilante. Esse texto eu escrevi para a Shirley, do Macetes de Mãe, ano passado e agora compartilho aqui com vocês:

Muitos bebês tem bronquiolite, uma  inflamação dos bronquíolos causada por vírus, e depois nunca mais voltam a ter o “chiado” no peito. Mas cerca de 40% dos bebês demoram para conseguir resolver esse chiado, ou voltam a ter crises de chiado algumas vezes.

O que é o bebê chiador ou lactente sibilante?

O bebê chiador, ou lactente sibilante, é aquele bebê que vira e mexa apresenta chiado no peito precisando de tratamento, igual à bronquiolite. Aqueles bebês que já tiveram mais de 3 episódios de sibilância, ou que a sibilância dura mais de 30 dias sem melhora são os chamados bebês chiadores.  Normalmente as crises são desencadeadas por quadros virais, como o resfriado, mas outros fatores também podem desencadear a crise, como mudanças bruscas de temperatura, exercícios físicos, contato com alguns alérgenos ou ainda a crise pode aparecer sem uma causa específica.

É importante lembrar que nem todo barulho no pulmão é sibilância. Às vezes a criança pode ter um resfriado e apresentar roncos no pulmão devido a secreção mas não ter o chiado (sibilos).  Outras vezes a mãe não escuta o chiado, mas o médico identifica o chiado ao examinar a criança. Por isso é importante que um médico avalie a criança durante as crises.

 Quais os fatores podem influenciar na recorrência das crises?

Alguns fatores de risco como prematuridade, EXPOSIÇÃO AO CIGARRO, casos de asma na família, e crianças que frequentam a pré-escola podem ter um risco maior de voltar a apresentar as crises.

Tem diferença entre o bebê chiador e a asma?

Os sintomas de cansaço, tosse e chiado no peito são comuns nas duas condições, mas é difícil fazer o diagnóstico de asma em crianças tão pequenas. Os exames de alergia são pouco específicos até os 2 anos. A maioria desses bebês irá parar de apresentar o chiado até os 6 anos, à medida que forem crescendo e desenvolvendo o pulmão. Por isso, quando bebês, são chamados de lactentes sibilantes, porque ainda não é possível definir se eles terão asma ou não quando forem maiores.

Os bebês que apresentam outras doenças alérgicas, como dermatite atópica ou rinite alérgica, que tem um dos pais com asma, e que tem chiado mesmo quando não estão resfriados, apresentam maior risco de serem asmáticos.

Qual é o tratamento do bebê chiador?

 O tratamento vai depender das características das crises e do paciente. Em crises leves e pouco frequentes pode ser que seu pediatra apenas acompanhe o quadro. Porque pode valer mais a pena tratar as crises do que usar medicação todos os dias já que ele não tem muitas crises e elas são leves.

Nos casos mais graves ou que o bebê começa a ter crises muito frequentes e que demoram para se resolver será melhor fazer um tratamento preventivo, que evite o aparecimento das crises. Assim o bebê tem menos chance de apresentar crises graves que precisem de internação ou que tragam riscos para o desenvolvimento dele.

Os medicamentos para evitar as crises envolvem corticoides inalatórios, ou medicação oral que ajudam a diminuir a inflamação no pulmão. Nenhum remédio está isento de efeitos colaterais, e o que funciona para um pode não ser adequado para outro. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo pediatra, e se possível acompanhado por um alergista ou pneumologista pediátrico.

Por que é importante o acompanhamento médico?

Outras doenças que podem contribuir ou causar chiado precisam ser descartadas, como a doença do refluxo gastro-esofágico, fibrose cística, alterações anatômicas, imunodeficiência e outras infecções pulmonares.

As crises afetam a qualidade de vida dos bebês e da família e podem atrapalhar o desenvolvimento normal do pulmão.

O médico irá prescrever o tratamento adequado e ir ajustando a dose dos remédios com o tempo, para que ele não use mais medicação do que o necessário. As doses variam de acordo com o caso. Nunca use nenhuma medicação se não for prescrita pelo seu médico.

Dra. Fernanda Freire – Médica especialista em Pediatria, Alergia e Imunologia pela UNIFESP. Mestre em Imunologia pela Universidad Complutense de Madrid (Espanha). Criadora do site seupediatra.com, onde escreve outros textos sobre cuidados com as mães e filhos. Atende em consultório particular em São Paulo-SP. CRM-SP 130329

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Não perca as novidades!