O “mito” do bebê high-need

Seu filho chora mais e mais alto que o dos outros? Mama mais que os outros? Dorme menos que os outros? Não sai do colo e Não desgruda de você? Veja o por quê.

Fonte: GettyImages
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Você já ouviu falar em bebê high-need? Em português poderia ser bebês de alta necessidade, mas eu prefiro usar o termo alta demanda. O termo foi criado pelo pediatra norte-americano Dr. Sears. Após ter 3 filhos “fáceis”, e pensar que algumas mães eram “exageradas”, o quarto filho dele foi diferente.

Foi então que ele que ele descobriu que essas mães não estavam exagerando e que alguns bebês realmente davam mais trabalho que outros.

A descrição de um bebê higi-need acompanha 12 características (fonte original site Dr. Sears, e tradução retirada do grupo High Need babies Brasil) :

1- Intensos: Eles choram alto, mamam vorazmente, gargalham com gosto e protestam com força.

2 – Hiperativos: Hiperatividade como descrição e não como doença. Eles parecem sempre ligados no 220V!

3 – “Drenadores”: As mães transferem suas energias para o bebê e também que uma atitude mais positiva seja melhor: ao invés de pensar em dias de esgotamento, pensar em dias de doação. A necessidade aparentemente constante de colo, seio e conforto faz com que sobre pouca energia para a mãe.

4 – Mamam frequentemente: As necessidades do bebê irão se intensificar durante os dias de altas necessidades e vão gravitar entre a chupeta favorita e a pessoa favorita, o que, no caso de um bebê amamentado no seio, são a mesma coisa.

5 – Demandantes: Eles não gostam de esperar e não aceitam alternativas.

6. Acordam frequentemente

7 – Insatisfeito: Haverão dias que você irá amamentar, embalar, caminhar, dirigir, vestir e tentar todas as técnicas de conforto conhecidas pelo homem ou mulher e nada irá funcionar. Não leve isso como sinal de fracasso. Você faz o melhor que pode e o resto é com o bebê. Você não falhou como mãe até mesmo se seu bebê é triste o tempo todo. Isso é simplesmente parte da personalidade dele.

8 – Imprevisível: O que funcionava ontem não funciona hoje. Eles têm mudanças extremas de humor: quando estão felizes são os bebês mais felizes do mundo, quando estão bravos são os piores bebês do mundo.

9 – Super-sensíveis: Estão sempre alertas com o que está acontecendo no ambiente, sendo facilmente superestimulados ou se entediando rapidamente. Eles preferem ambientes seguros e conhecidos.
Enquanto a rotina da casa pode continuar normal com a maior parte dos bebês, com os sensíveis, o menor ruído os acorda.
Eles não aceitam cuidadores substitutos com facilidade.

10 – “Não dá pra tirá-lo do colo”: Eles querem contato pele com pele, colo, peito e cama. Eles extraem todo contato físico que podem de seus cuidadores. Às vezes colo não é suficiente e eles querem um colinho-andante.

11 – Não se acalmam sozinhos: Eles querem interagir com pessoas e não com coisas.
Eles precisam de ajuda para dormir.

12 – Sensíveis à separação: Eles não aceitam cuidadores substitutos e demoram a se afeiçoar a estranhos. Ele e a mãe são uma só pessoa e ele sabe que precisa dela pra ser completo.

O livro onde ele descreve e orienta um pouco essas mães é esse, por enquanto vendido apenas em inglês: “The Fussy Baby Book: Parenting Your High-Need Child From Birth to Age Five”. Importado por algumas livrarias, clique aqui para ver. 

high-needMais do que recomendar a leitura para as mães, eu recomendo para os pais, que sempre acham que a culpa de tudo é da mãe.

Algumas pessoas e pediatras atuais são contra o termo, porque “rotula” as crianças, e dizem que bebê chora mesmo e dá trabalho mesmo. Eles acham que o ditado “A grama do vizinho é sempre mais verde”, se encaixa aqui. Por isso, que coloco no título do texto: o “mito” dos bebês high-need. Porque só quem tem um, acredita que eles existem. O resto do mundo vai pensar que você é uma exagerada, despreparada, que deixou ele mal acostumado e que não sabe criar seu filho.

Da mesma forma que o termo high-need não quer rotular ninguém e apenas facilitar a busca de informações que descrevem essa “personalidade”. ATENÇÃO: high-need não é um diagnóstico, é só uma definição. Seu bebê high-need não tem nenhum problema, pelo contrario com o tempo você verá as vantagens dessa personalidade. Inclusive o Dr. Sears usa o termo como um rótulo positivo, que alivia a “culpa” que toda a família quer jogar na mãe: “Você deu colo demais”, “Ele manda em você”, “Ele está te manipulando”.  O bebê não “manipula” ninguém. Ele quer carinho, atenção e não sabe se expressar de outra maneira…AINDA. Portanto esses bebês precisam sim de mais apego, mais colo. 

Mas se algumas pessoas acham errado rotular os bebês como high-need, proponho que coloquemos o rótulo em nós mães: Mães de alta demanda.

A saga das mães de alta demanda, geralmente, tem alguns pontos em comum:

Bebês que choram muito desde o nascimento, o primeiro culpado costuma ser “será que não tenho leite suficiente? Será que ele está com fome?”

Uma semana depois, seu peito vira uma cachoeira de leite, e o bebê continua chorando. A culpa agora é da cólica. Seu bebê passa 6 meses ou no peito ou no colo, porque pra ele não tem outro lugar que agrade. Nesse meio tempo é provável que tenham feito hipóteses de refluxo ou alergia e inclusive tentando o tratamento sem sucesso.

Depois dos 6 meses, que termina o período da cólica e você acha que vai ter um “descanso”…. Seu bebê continua chorando e só quer você. De quem é a culpa? Os dentes claro. A cada semana um dente novo deve estar nascendo para que seu bebê esteja incomodado.

Outros meses se passam, seu bebê já tem todos os dentes na boca, e ele continua só querendo você, chora alto, se irrita se não fazem o que ele quer, dorme mal, e “manda” na casa ou, pelo menos, na mãe. De quem é a culpa agora? Da mãe que não soube criar direito e deixou ele mal acostumado com tanto colo.

Você se reconheceu em alguma dessas situações? Achou que seu filho tem algumas ou todas as 12 características do bebê high-need que descreve o Dr. Sears? Pois é hora de parar e de se culpar e começar a se parabenizar por ter se dedicado tanto e ter feito tudo certo mesmo quando todo mundo dizia que você estava fazendo errado. Seu bebê é um high-need, ou você é uma mãe high-need, se você prefere não desagradar aqueles que acham que “toda criança dá trabalho mesmo”. Eles pensam assim porque eles não conheceram o seu filho, não passaram 2 dias na sua casa, e provavelmente nunca se ofereceram para ajudar de madrugada, já que faz 2 anos que você não dorme mais de 4 horas seguidas.

As mães high-need se entendem, falam a mesma língua e não se julgam. Não é fácil achar uma mãe high-need, somos poucas, e você provavelmente se sente deslocada da roda das suas amigas, onde todos os bebês dormem a noite inteira, comem de tudo, se comportam à mesa e não fazem escândalo nos shoppings.

Meu conselho: nos raros 15-20 minutos que seu bebê desgrudar de você e você conseguir conversar com suas amigas, não vale a pena comparar características como sono, alimentação e comportamento das crianças. Fale sobre moda, maquiagem ou mesmo futebol. Poucas irão entender que você tem mais trabalho, que você se esforça mais. Só vão pensar que você reclama mais e que “criança dá trabalho mesmo, é normal”.

Mas não se isole, busque ajuda, peça ajuda. Sua mãe, uma tia, a sogra, sua irmã, uma amiga de confiança, sempre tem gente disposta a te ajudar. Porque ser uma mãe de alta demanda não é fácil. Divida sim as tarefas com o pai do bebê, quando você estiver exausta e precisar respirar, ainda que o bebê grite: NÃO É MAMÃE!

Além disso, é essencial ter um pediatra de confiança acompanhando seu filho, que também te entenda e te acolha e que veja se ele está crescendo e se desenvolvendo bem, se realmente não existe nenhum doença que esteja fazendo com que ele se comporte dessa maneira.

Existem alguns grupos no facebook que podem ajudar, você pode buscar por High Need ou The Fussy Baby e ver que tem mais gente no mesmo barco, e trocar experiências ajuda muito. 

Quer ler mais sobre o assunto? Clique aqui para ver o site do Dr. Sears, onde ele descreve as características. 

Essa página do facebook aqui, traduz um pouco do que ele diz no livro.

O livro vale a pena, não só para a mãe, mas também para o pai, ou todos os familiares que acham que você “exagera”.

Para finalizar uma frase que ajuda muito, retirada desse texto aqui:

“Siga em frente, continue e faça o que você sente que é certo. A parte mais difícil não vai durar pra sempre. Eu prometo.”

keepon

Beijos,

Dra. Fernanda Freire

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